Aquela risada ainda ecoava em minha cabeça, fazendo com que minha irritação aumentasse ao ponto de cometer a besteira de dar um murro na parede.
Ao pensar na dor que agora sentia em minha mão a risada só se tornava mais alta. Já podia notar o sarcasmo permeando cada pedacinho do som que só me tirava do sério.
Maldita Samantha! Se pudesse a mataria aos poucos, para poder aproveitar cada instante da dor que provocasse. Poder ter a oportunidade de finalmente ver o medo passar naqueles olhos.
Mas Samantha sabia que eu não poderia fazer nada contra ela. Covarde que sou, só poderia ficar de expectadora enquanto ela zombava de mim nas situações mais inconvenientes.
O único momento em que ela me deixava em paz era nos meus sonhos. Nessa parte de minha vida ela nunca poderia se intrometer. Nos meus sonhos eu era tudo que eu sempre quis ser e um pouco mais. No meu sonho eu era heroína, uma tempestade, ou até mesmo um simples pingo d’água. Desde quando há lógica nos sonhos?
Seria esse então o motivo do meu medo de acordar? Em que ponto da minha vida a realidade se tornou pior do que os sonhos? Eu deveria me sentir feliz por viver, não deveria?
A Samantha é o meu oposto perfeito. Ela é tudo o que eu não tenho coragem de ser. O poder dela vem de saber todos os meus temores e receios e saber brincar com eles, me deixando indefesa.
Eu odiava a Samantha, mas me odiava mais ainda por não poder fazer nada além de escutar suas criticas e seus risinhos insuportáveis.
Ah como eu gostaria de matar a Samantha, mas como poderia? Ela é parte de mim!
Afinal, como matar uma pessoa que só existe dentro de você? Por mais que a vida seja ruim, suicídio não é algo que passe pela minha cabeça.
Mas o pior é saber que na realidade, Samantha, eu não te odeio. Eu tenho inveja! Inveja de você ser tudo aquilo que eu não sou, mas queria ser.
É Samantha, pensando bem você deve me odiar...
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